O golpe da falsa central bancária está entre as fraudes mais aplicadas no Brasil porque não depende de uma invasão “técnica” sofisticada. Ele depende de algo muito mais eficiente para o criminoso: pressão psicológica, urgência e confiança.
Na maioria dos casos, a vítima recebe uma ligação de alguém que se identifica como “central de segurança”, “setor antifraude” ou “atendimento do banco”. A conversa é conduzida como se fosse um procedimento oficial, com linguagem firme, termos técnicos e um problema que parece plausível: compra suspeita, tentativa de PIX, acesso em outro aparelho, alteração de cadastro ou contratação de empréstimo.
O resultado costuma ser o mesmo: quando a vítima percebe, já houve movimentação na conta, transferências, empréstimos ou até abertura de contas em seu nome. E o motivo é simples: o golpe evoluiu. Hoje, não se trata apenas de “pedir um código por SMS”.
O que é o golpe da falsa central bancária
O golpe da falsa central acontece quando criminosos entram em contato fingindo ser do banco e afirmam que identificaram uma situação de risco, como:
- transação suspeita em análise
- tentativa de compra fora do padrão
- PIX agendado ou em processamento
- login em outro dispositivo
- alteração de e-mail ou telefone
- solicitação de empréstimo não reconhecida
A vítima é induzida a acreditar que precisa passar por uma “verificação de segurança” para que o banco possa bloquear o problema.
Essa verificação, no entanto, não é uma medida real de proteção. Ela é o caminho que o criminoso usa para obter acesso ao aplicativo bancário ou para fazer a vítima autorizar movimentações sem perceber.

Por que esse golpe convence com tanta facilidade
Mesmo pessoas cautelosas acabam caindo porque o golpe é construído para parecer legítimo. Existem três elementos que quase sempre aparecem:
Urgência controlada
O criminoso impõe pressa com frases como:
- “temos poucos minutos para bloquear”
- “a transação está em andamento”
- “se não confirmar agora, o valor cai”
- “precisamos resolver ainda hoje”
Isso impede que a vítima pare para confirmar pelo canal oficial.
Linguagem técnica que passa credibilidade
O atendente falso utiliza termos comuns de bancos, como:
- “protocolo de segurança”
- “setor antifraude”
- “bloqueio preventivo”
- “validação do dispositivo”
- “atualização de segurança”
A vítima sente que está falando com alguém treinado e “de dentro do sistema”.
Confiança induzida
Em muitos casos, o criminoso já possui dados básicos da vítima (nome, parte do CPF, número de telefone, banco utilizado). Isso cria uma sensação automática de legitimidade.
O golpe mudou e não é mais só sobre código por SMS
Durante muito tempo, o golpe da falsa central era baseado em pedir códigos de confirmação enviados por SMS ou token.
Hoje, os criminosos sabem que muita gente já desconfia desse método. Então eles evoluíram para estratégias mais perigosas, como:
- chamada de vídeo para “verificação”
- link de suposta segurança
- acesso remoto ao celular
- espelhamento da tela
- “procedimento guiado”, com a vítima mexendo no app enquanto o golpista acompanha
É nesse ponto que o golpe fica mais grave, porque o criminoso passa a ter condições de ver o que a vítima está fazendo ou até assumir o controle do aparelho.
Como o golpe da falsa central acontece na prática (passo a passo real)
1) A vítima recebe a ligação
O criminoso liga afirmando que houve uma movimentação suspeita e que precisa confirmar algumas informações para bloquear o problema.
A vítima, preocupada, entra no modo “resolver rápido”.
2) O criminoso conduz uma “verificação de segurança”
O golpista cria um roteiro de atendimento, com instruções simples e diretas. Ele fala como se estivesse ajudando a evitar prejuízo imediato.
3) A urgência vira pressão
A conversa acelera. O criminoso insiste em não desligar, em “resolver agora”, e coloca medo de perda de dinheiro.
Esse é o ponto em que muita gente deixa de validar pelo canal oficial.
4) A armadilha moderna: vídeo ou acesso remoto
Para ganhar acesso ao celular, os criminosos podem:
- chamar a vítima para uma videochamada, dizendo que é para confirmar identidade
- mandar um link de segurança
- pedir para instalar uma ferramenta “de verificação”
- orientar a ativação de recursos no aparelho que permitem controle remoto ou visualização da tela
Com isso, eles conseguem acompanhar a vítima no celular em tempo real.
5) A vítima abre o aplicativo do banco “para conferir”
Depois da chamada ou do acesso remoto, o criminoso pede:
“Agora abre seu aplicativo e verifica se está tudo normal na sua conta.”
A vítima abre o banco achando que está apenas conferindo saldo e histórico.
Só que, nesse momento, o criminoso pode:
- ver a senha digitada
- capturar confirmações e códigos na tela
- operar por trás, em janelas que a vítima não percebe
- executar transferências enquanto mantém a vítima ocupada na conversa
6) As transferências acontecem sem a vítima entender como
Esse golpe costuma funcionar porque a vítima está distraída e sob pressão.
Em muitos casos, o criminoso consegue:
- realizar PIX em sequência
- pagar boletos
- cadastrar novas chaves PIX
- contratar empréstimos
- alterar e-mail/telefone para dificultar recuperação
E, quando a vítima percebe, o prejuízo já está consolidado.

Variações comuns ligadas ao golpe da falsa central
O golpe da falsa central virou um “modelo” de fraude, e por isso aparece com personagens diferentes. As variações mais vistas hoje incluem:
Golpe do falso gerente
O criminoso se apresenta como “gerente” ou “responsável pela conta” e conduz a conversa de forma mais pessoal, como se tivesse vínculo com o cliente. O objetivo é gerar ainda mais confiança e acelerar decisões.
Golpe da portabilidade do empréstimo
O criminoso afirma que há portabilidade em andamento ou oferece “vantagem” para reduzir juros. A vítima é induzida a validar procedimentos, compartilhar documentos e, em alguns casos, fornecer dados que permitem abertura de conta ou contratação de crédito.
Golpe do falso advogado
O criminoso se passa por advogado e diz que existe valor a receber, processo em andamento ou bloqueio a ser evitado. Frequentemente pede depósitos, taxas ou validações bancárias.
Golpe do falso funcionário do Judiciário
O criminoso se passa por servidor, cartório ou setor de intimações e usa medo como ferramenta, mencionando “ordem judicial”, “bloqueio iminente” ou “penhora em andamento”. O objetivo é obter dados e conduzir validações rápidas.
Apesar da variação do personagem, o resultado buscado costuma ser o mesmo: invadir contas, capturar validações, colher facial ou abrir novas contas em nome da vítima.
Sinais claros de alerta (mesmo quando tudo parece real)
Se durante o contato ocorrer qualquer um desses pontos, a chance de golpe é alta:
- pedido de chamada de vídeo “para confirmar identidade”
- envio de link de “segurança”
- orientação para instalar aplicativo de suporte
- insistência para manter a ligação enquanto mexe no banco
- pressão para agir rápido e não desligar
- instruções para transferir valores para “conta segura”
Esse golpe não depende de “clonar cartão”. Ele depende de colocar a vítima sob comando.
Como se proteger do golpe da falsa central bancária
A proteção mais eficiente é simples e prática:
Desligue e valide por canal oficial
Se a ligação for real, você conseguirá confirmar diretamente:
- no aplicativo do banco
- no chat oficial
- no número do verso do cartão
Desligar interrompe o principal mecanismo do golpe: a pressão.
Nunca faça videochamada para “verificação bancária”
Esse pedido é um alerta enorme. Verificação do banco não funciona assim.
Nunca clique em link enviado por “central”
O link costuma ser a porta de entrada para controle remoto, espelhamento ou captura de dados.
Evite manter o app bancário aberto durante ligações
O criminoso precisa te conduzir enquanto você está dentro do aplicativo.
Se alguém insistir nisso, interrompa.
Caí no golpe da falsa central e agora
Se você foi vítima, o mais importante é agir rápido e registrar tudo:
- comunicar o banco e pedir protocolo
- bloquear acessos, cartões e dispositivos
- verificar se houve cadastro de nova chave PIX ou empréstimo
- registrar boletim de ocorrência
- guardar prints, SMS, números e horários
- anotar se houve chamada de vídeo ou acesso remoto
Quanto mais detalhado o registro, mais fácil reconstruir o golpe.
Por que esse golpe pode gerar prejuízos além do valor transferido
Um erro comum é achar que o golpe termina quando o dinheiro sai da conta. Em muitos casos, o criminoso tenta algo maior:
- abrir contas em nome da vítima
- usar dados para solicitar crédito
- manter acesso ao dispositivo por algum tempo
- realizar novas transações dias depois
Por isso, a reação precisa ser rápida e completa, não apenas “bloquear o cartão”.
Quando vale buscar orientação especializada
Quando há movimentações em série, empréstimos, acesso remoto ou suspeita de abertura de contas em nome da vítima, a situação tende a ficar mais difícil de resolver apenas com atendimento padrão de banco.
Após recomendações e pesquisas, a orientação mais prudente é contar com uma advogada especialista em fraudes bancárias e golpes financeiros, porque esse tipo de golpe costuma exigir medidas rápidas, bem registradas e tomadas na ordem certa.
Para quem quer entender mais sobre golpes bancários e práticas de prevenção que vêm crescendo no Brasil, também é possível encontrar materiais e orientações no site da Dra. Elisângela B. Taborda, com conteúdos organizados sobre fraudes digitais, golpes financeiros e riscos comuns do ambiente bancário atual.
O golpe da falsa central exige atenção no momento certo
O golpe da falsa central bancária é perigoso porque se disfarça de proteção. Ele não vem com aparência de fraude óbvia. Ele vem como um atendimento urgente, “bem falado” e tecnicamente convincente.
A melhor defesa continua sendo simples:
- desligar
- validar pelos canais oficiais
- não clicar em links
- não aceitar “verificação por vídeo”
- nunca permitir acesso remoto ao celular
Porque, nesse golpe, o prejuízo não acontece quando a ligação começa.
Ele acontece quando a vítima permite que alguém enxergue ou controle o próprio aparelho.


