Amamentação inadequada pode interferir na saúde da criança

A posição que a mãe coloca o bebê para amamentar é decisiva para o desenvolvimento da fala, da dentição, da respiração e da mastigação da criança. É o que alerta a fonoaudióloga Rafaela Linhares Taboada Gorza, 31 anos, que atua como presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia, em Minas Gerais.

De acordo com a especialista, os impactos só começam a aparecer de forma mais latente quando a criança está um pouco mais grandinha, podendo a chegar a desenvolver problemas na pronuncia de algumas palavras ou na construção da fala, problemas na abertura entre os dentes – a chamada mordida aberta, além de causar postura inadequada da língua, seja na hora da mastigação dos alimentos, seja no hábito de por a língua para fora em excesso.

“O tratamento, na maioria dos casos, é multidisciplinar envolvendo principalmente um ortodontista. Mas, o mais importante é trabalhar a prevenção. Quando a mãe se preocupa em oferecer uma amamentação adequada, o bebê terá um estimulo muito maior para o desenvolvimento correto da musculatura da face, da boca e dos lábios, além de ajudar a mãe a produzir a mais leite e a desenvolver melhor a parte da respiração”, explica.

Amamentação

A posição inadequada que o bebê é colocado para a amamentação pode sim interferir no modo como a criança faz a sucção, dando a sensação que a mãe produza pouco leite. “O recomendado é a postura alinhada ao tronco, barriga com barriga. Também é importante estimular o cantinho da boca do bebê com o mamilo da mãe para estimular o reflexo de busca, fazendo com que a criança tenha aquela ´boquinha de peixe´ na hora mamar”, orienta a fonoaudióloga Rafaela Gorza.

A especialista complementa ainda que a criança não pode abocanhar só o bico do peito, mas também a auréola do seio da mãe na hora do aleitamento. “O queixo tem que ficar apoiado na parte debaixo do seio, porque essa que é a pega correta e que propicia na criança o fortalecimento da musculatura da face. Toda criança nasce com o queixo um pouco pára atrás e a amamentação faz com que a mandíbula desenvolva corretamente, além da bochecha, dos lábios e de toda face”.

A advogada Marcela de Castro, de 38 anos, viveu esse drama da amamentação inadequada de perto. Há três, ela teve o seu primeiro filho e quase parou de amamentar no quarto mês de vida do bebê, pois achou que o leite havia secado. “Era marinheira de primeira viagem e nem fazia ideia dessas coisas. Foi conversando com uma amiga que descobri que estava amamentando meu filho errado. Ela me mostrou o jeito certo e, por incrível que pareça, percebi que não era o meu leite que havia secado, era eu que estava dando de mamar do jeito errado”.

Mesmo tendo revertido o problema da amamentação inadequada, Marcela conta que, tempos depois, o filho teve que fazer tratamento com a fonoaudióloga, porque tinha bastante dificuldade de falar. “Quando ele começou a falar as primeiras palavrinhas notei certa dificuldade, porque ele comia as sílabas, chupava bico e falava muito rápido. Ele também não conseguia mastigar de boca fechada e alegava não conseguir respirar. Daí, o pediatra recomendou fazer algumas seções e isso tem ajudado muito o meu filho. Hoje, acredito sim que a amamentação interfere na saúde da criança em todos os aspectos”, desabafa.

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